Mal começou o ano letivo e eu já estou reclamando da quantidade de provas, da cantina, das matérias. Mas agora eu parei pra pensar que esse é o último ano que eu vou ter a chance de reclamar das provas, da cantina e das matérias. Mal começou o meu terceiro ano de ensino médio/técnico no Liceu, e um mundo de responsabilidades, deveres e pressões já caiu nos meus ombros e nos de muita gente. É o ano da expectativa, de estudar muito, de fazer o máximo pra passar no vestibular, de decidir quem eu quero ser amanhã e de conseguir estágio na área de eventos culturais e promocionais. É o ano de tomar muitas decisões difíceis e de ficar cansada. É como se estivéssemos vivendo um ano pensando no próximo. E é nesse ano que a vida escolar acaba.Vai ser difícil me separar de tanta gente importante. Eu sei que vou encontrar muito mais pessoas importantes na minha vida, mas quem gosta de despedidas? A vida pós-escola que nos espera é imprevisível. Mas é como eu aprendi certa vez, que nem tudo que a gente quer cabe dentro da nossa mala.
Vai acabar, e vão restar apenas boas lembranças. E eu sei que toda vez que eu passar pela estação Tirdentes do metrô, ou mesmo pela Av. Tiradentes, eu vou me lembrar do Liceu. E toda vez que eu pensar em fonte, eu vou me lembrar do Liceu. E quando eu ouvir falar de Madame Bovary, de Crime e Castigo ou de Machado de Assis, eu vou me lembrar. Quando eu ouvir falar de Hannah Montana, quando eu pensar em teatro, quando eu olhar as estrelas, quando for pra São Bernardo, quando ouvir Cachorro Grande, quando encontrar qualquer coisa dourada em qualquer vitrine, quando escutar O Teatro Mágico. Quando conhecer um gestor ou um produtor de eventos ou um produtor multimídia. Quando olhar pro céu e ele estiver azul, quando sentar em baixo de uma árvore, quando pensar em stress, quando ouvir a palavra "pracinha", quando pensar em Bananas de Pijamas. Quando assistir a qualquer adaptação de "O Avarento" ou quando escutar a música Michelle, dos Beatles. Quando eu topar com pessoas de alargadores nas ruas. Quando ver pessoas girando habilidosamente canetas nos dedos e gente com cabelo colorido. Quando pensar em amigos de verdade. Quando ouvir falar de um grêmio ou atlética em alguma escola. Quando pensar em gente íntegra e que sabe o que quer, e quando pensar em gente não muito íntegra também. Quando eu ver passar na rua qualquer menina com um brinco de pena. Quando eu conhecer alguém que mora em Embu das Artes. Quando eu ler Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles ou Caio Fernando de Abreu. Quando encontrar bons atores e bons cantores. Quando pensar em amor, vou me lembrar do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.
E se existe um lugar capaz de mudar vidas, esse lugar é o Liceu, o lugar que me fez crescer. O lugar que me marcou e que marcou muitas outras pessoas que passaram por lá durante três anos (ou menos) de suas vidas. Um lugar cheio de história e cheio de gente rara e querida pa mim, desde meus amigos, até professores e inspetores. E quando eu pensar em sorriso, eu vou me lembrar do Liceu e do quanto ele me fez bem, me fez feliz. Mesmo com seus problemas, eu sei que valeu a pena. E já que esse é o último ano, que seja bem vivido.
Para que ainda haja muitas coisas das quais eu possa me recordar.
